Se ainda existe diferença entre publicidade e conteúdo, ela não está mais no set.
Na produção audiovisual para o digital, quando um projeto é pensado desde o início, a separação entre publicidade e conteúdo deixa de fazer sentido na prática.
Antes, esses fluxos costumavam correr separados. Agora, eles podem ser resolvidos na mesma lógica de set, linguagem e execução.
É aí que a produção deixa de adaptar materiais depois da captação e passa a estruturar o projeto no set. Essa dinâmica se materializou na produção de uma série de mini-filmes para o lançamento do Galaxy S26 Ultra da Samsung no Brasil.
A campanha apresentou três filmes curtos, com cerca de 15 segundos, pensados para demonstrar o potencial cinematográfico do dispositivo na prática. A criação é da Cheil Brasil, com direção de Daniel Bontempo e produção da SAGAZ Filmes.
A proposta partiu de uma diretriz definida no briefing: a equipe precisava captar o conteúdo no próprio dispositivo.


Produzir com o dispositivo reconfigura o set
“O grande desafio foi fazer todo o filme com o aparelho e trazer para dentro da estrutura do audiovisual.” Silvia Sivieri, produtora executiva da SAGAZ Filmes
Filmar com smartphone na produção audiovisual não foi apenas uma escolha técnica. O briefing definiu essa diretriz desde o início e, por isso, a equipe precisou reorganizar a estrutura de produção.
Viabilizar a captação exigiu domínio técnico para operar dentro de uma nova lógica de set.
Na prática, iluminação, movimento de câmera, ritmo de cena, atuação e pós-produção passaram a ser definidos ainda na captação.
Com isso, o set se organizou para operar dentro das possibilidades do próprio dispositivo, sem depender de correções posteriores como solução principal.
O set em operação: captação, adaptação e decisões acontecendo em tempo real.
Resolver no set define a produção
Com prazos reduzidos e múltiplas entregas, a produção concentrou decisões na captação.
“Não é só filmar com o celular. É entender como isso entra na estrutura da produção, como sai tecnicamente e como acontece a pós-produção.” Silvia Sivieri, produtora executiva.
Isso exigiu controle técnico, precisão de linguagem e clareza sobre o resultado esperado. A equipe precisava pensar enquadramento, ritmo e consistência visual diretamente no set.
Dessa forma, a pós-produção deixou de corrigir ou reconstruir o filme. Ela passou a finalizar uma decisão já tomada na captação. O set deixou de ser apenas o momento de captura.
“Como o prazo era muito curto, muita coisa precisava ser resolvida na captação e não na pós”, comenta Silvia.

Silvia Sivieri, direção executiva da SAGAZ, conduzindo decisões de produção no set.
Publicidade e conteúdo na mesma lógica de produção
Tradicionalmente, publicidade e conteúdo digital seguem fluxos diferentes. A publicidade costuma ser planejada, produzida e distribuída como campanha. Já o conteúdo digital muitas vezes nasce como adaptação ou desdobramento.
Neste projeto, a lógica foi outra. Quando o filme nasce para circular em ambientes digitais, essa divisão perde força no set.
A produção passa a funcionar como um sistema único, com captação alinhada à distribuição, narrativa adequada ao formato e linguagem construída para o canal.


Filmes produzidos para circulação digital
Outro ponto central do projeto foi a lógica de distribuição.
Por isso, os filmes já nasceram estruturados para circulação digital, com decisões tomadas desde a captação.
Formatos curtos, cenas diretas e construção sem espaço para desenvolvimento prolongado.
Cada escolha considerou o ambiente de exibição, da duração ao enquadramento.
O resultado dessa construção pode ser visto nos três filmes abaixo.
Produção como estrutura do projeto
O que esse projeto revelou está na relação entre a tecnologia do dispositivo e a forma de produzir.
Projetos com lógica digital exigem decisões antecipadas, integração entre áreas, clareza de linguagem e execução precisa. Não há etapa isolada.
Por isso, a produção deixa de apenas viabilizar o filme. Ela passa a estruturar o projeto como um todo.
Na SAGAZ, essa lógica orienta a condução do trabalho. Quando o filme nasce para o digital, a separação entre publicidade e conteúdo deixa de existir no set. O que existe é produção.
O mais interessante desse projeto foi pensar a linguagem já totalmente conectada à forma como o conteúdo seria consumido. Como toda a captação acontecia no próprio dispositivo, muitas decisões precisavam ser resolvidas no set, do enquadramento ao ritmo das cenas.
O desafio era construir filmes rápidos, diretos e pensados para circulação digital sem perder o cuidado cinematográfico da imagem. Acho que o resultado nasce justamente desse equilíbrio. Daniel Bontempo, diretor de cena

No set, Daniel Bontempo na direção de cena.
Ficha Técnica
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